22 Novembro, 2009

como eram lindas as Susis da aurora da minha vida


imagem obtida no blog arte&variedade

12 Novembro, 2009

a Lolinha da dona Júlia

eu no carrinho que herdei do marcelinho
eu gostava de visitar a dona Júlia. engraçado, elas eram amigas, dona júlia e minha avó, e se tratavam assim: "como vai, dona Leonor, a senhora está bem?" "sim, dona Júlia, e a senhora?". com toda a formalidade.

minhas lembranças sobre elas estão certamente fragmentadas e mixadas. mas é assim que me lembro: íamos eu e meus avós visitá-los, a dona júlia e o seu horácio. não sei se confundo o nome dela com o nome da avenida, mas na minha memória passávamos pelo túnel da 9 de julho para visitá-los e eu gostava tanto daquela parte da cidade. o apartamento deles ficava num prédio que ela mesma vinha abrir pra nós a porta principal (na sena madureira?). era clarinho por fora e escuro lá dentro dos corredores. no apartamento, de uma janela grande dava pra ver o telhado com telha ondulada de uma construção vizinha. eu tinha vontade de pular a janela e andar ali.

eu também tinha muita vontade de sentar na cadeira de balanço do seu horácio. um dia levei um susto tão grande: senti escondido na cadeira enqto os 4 estavam na cozinha; a cadeira foi pra trás e eu sinto a vertigem até hoje.

na cozinha havia uma mesinha dessas pequenas, junto da parede, e dona júlia preparava sanduíches. talvez houvesse bolo e refrigerante, ou café com leite. mas tinha sanduíche.

e toda vez eu puxava minha avó e dizia... "per-gun-taaa!" ela me olhava feio mas perguntava: "e o marcelinho, dona júlia?" seja o que for que ela respondesse não importava mesmo, já que ele não estava lá. e eu sempre visitava dona júlia na esperança de que marcelinho estivesse lá pra gente brincar. eu havia herdado tanta coisa dele. tantas vezes eu ouvia o seu nome: "esse casaco foi do marcelinho". "esse sorveteiro". "esse tico-tico". então ele era criança e gostava dos mesmos brinquedos, ia ser tão bom que estivesse lá, porque olhar o telhado vizinho e tentar sentar escondido na cadeira do seu horácio e comer sanduíches na cozinha também cansava.

dona júlia era cega de um olho. aconteceu fritando um ovo. e até hoje penso nela com carinho e prevenção, toda vez que frito um ovo. e falar em cozinha e comidas e júlia me lembro de quando seu horácio perdeu o olfato. como podia? e eu me sentia tão triste por ele.

meus avós e esse casal conheceram-se porque ambos tiveram um filho internado em hospital psiquiátrico. eu sei pouco sobre isso. mas minha avó e meu avô fizeram grandes amizades vinculadas em solidariedade.

d júlia e seu horácio tinham também duas filhas: lolinha e ióle. yole? eram nomes sempre mencionados nas conversas. lembro da yole visitando nossa casa. samambaias na sala estavam na moda, e lá em casa tinha duas enormes com um pôster de foto minha no meio. que horror, dels. rs.

lembro do duplex da lolinha e edro na bela cintra. o quarto do marcelinho com cortiça nas paredes. foi um must pra mim por anos. até hoje, pra falar a verdade. lembro da coleção de corujas. e da ióle. marcelinho veio cumprimentar a gente, eu estava de amarelo e vermelho; ele me disse: "como vc está bonita!".

Yole na minha adolescência virou modelo de mulher mais velha. cabelos longos, brancos não tintos, pele superbronzeada. linda, charmosa, divertida, e eu babei por ela. lá se vão quase 30 anos e não dei conta de convivermos o tanto que eu gostaria. minha avó falava com ela e dizia: "ióle, vc tem uma fã!" e ela ficava feliz. ela tinha um casal de filhos, "se não me falha", esqueci o nome da menina (uma afortunada pela mãe bacana que ela tinha), e o filho talvez fosse Aírton? E o nome do marido eu lembro jájá (editando em 13/11: lembrei, era Sydnei - e fica a mesma dúvida pra ys e/ou is). Ele ou Edro que trabalhou na Swift? Isso não vou lembrar.

Lembro do hobbe dourado da Lolinha, ela fumando sentada à beira da cama com um mule de plumas. A imagem dourada de uma mulher lunar, noturna, intimista. Yóle e seus cabelos gris, eram a imagem prateada de uma mulher solar, diurna, extrovertida.

Um dia minha mãe ligou pra Lolinha. Contou do falecimento da minha avó, perguntam-se deste e daquele como estão, e Lolinha diz: "bom, do Marcelo vc deve saber pelas revistas. ele casou, teve filhos, separou e agora casou com a Luciana". Minha mãe, totalmente à parte do mundinho estrelado, ficou sem jeito de dizer que não, deu uma risadinha e em seguida me ligou e contou e perguntou: quem é, vc conhece? "Não".

Horas depois e um pouco de google eu descubro, good god, meu quase amiguinho de infância é uma celebridade... eu jamais reconheceria.

E me deu vontade de registrar tudo isto porque acabo de descobrir - por uma revista - que Lolinha se foi deste mundo já tem um ano. Não mais poderei ir vê-la. E penso que preciso muito ver Yole. Carinho.

É, meninas, nosso contato foi tão esparso e tão marcante. Nomes marcantes. Mulheres marcantes. Imagens na memória para sempre.

26 Outubro, 2009

Nani nasceu!



Leila Katz, obstetra-parteira, parceira de Melania e das evidências científicas, acaba de parir Nani, de parto normal após 2 cesáreas. É assim que ouço e comemoro esta notícia!

24 Outubro, 2009

Sisters' Day

uma amiga-irmã me disse que hoje é dia das irmãs.
não sei se é, e não ligo pra dias D.
mas comemorar é sempre bom, todo dia é dia de irmã.
Lô Bi Bé, bibélô.

22 Outubro, 2009

Nasa acha molécula orgânica em planeta fora do Sistema Solar

da Folha Online
21/10/2009 - 12h27 - Atualizado às 12h52
Pesquisadores da Nasa (agência espacial norte-americana) anunciaram a descoberta de química básica para a vida em um segundo e novo planeta quente e gasoso, muito distante do nosso Sistema Solar. Feito na terça-feira (20), o anúncio da pesquisa também informa que isso permite aos astrônomos avançar quanto a identificar planetas onde a vida possa existir.
O planeta, que leva o nome de HD 209458b, não é habitável, mas possui a mesma química que, se encontrada em um planeta rochoso no futuro, pode indicar a presença de vida.
"É o segundo planeta fora do nosso Sistema Solar em que água, metano e dióxido de carbono foram encontrados --elementos importantes para processos biológicos em planetas habitáveis", disse o pesquisador Mark Swain, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa. "A descoberta de componentes orgânicos nos dois exoplanetas já traz a possibilidade de que será corriqueiro encontrar planetas com moléculas que podem ser vinculadas à vida."
Os pesquisadores usaram dados de dois observatórios em órbita: os telescópios espaciais Hubble e Spitzer, para estudar o HD 209458b --que, além de quente e gasoso, é gigante (maior do que Júpiter) e orbita em uma estrela semelhante ao Sol por volta de 150 anos-luz de distância da Terra, na constelação de Pegasus.
A descoberta segue a uma outra, ocorrida em dezembro de 2008, que mostrou a presença de dióxido de carbono (CO2) em outro planeta do tamanho de Júpiter, o HD 189733b. Observações anteriores do Hubble e do Spitzer também tinham revelado que o planeta contém água em vapor e metano.
Para rastrear as moléculas orgânicas, a Nasa usou espectroscópios, instrumentos que dividem a luz em componentes para mostrar a "assinatura" de diferentes elementos químicos. Dados da câmera infravermelha do Hubble e do espectrômetro de multiobjetos mostraram a presença de moléculas, e dados do fotômetro e do espectrômetro infravermelho do Spitzer mediram as respectivas quantidades.
"Isso demonstra que nós podemos identificar as moléculas importantes nos processos de vida", disse Swain. Os astrônomos podem, a partir de agora, comparar as duas atmosferas de ambos os planetas, pelas diferenças e similaridades. Por exemplo: as quantidades de água e dióxido de carbono relativas a ambos os planetas são similares, mas o planeta HD 209458b mostra ter metano em abundância, quando comparado com o HD 189733b. "A alta abundância de metano está nos dizendo alguma coisa", disse Swain. "Pode significar que houve algo especial sobre a formação deste planeta."
"A detecção de compostos orgânicos não significa necessariamente que há vida em um planeta, porque existem outras formas para a geração destas moléculas", disse Swain. "Se detectamos compostos químicos orgânicos em um planeta rochoso como a Terra, nós vamos entender o suficiente sobre o planeta para descartar processos sem vida que poderiam ter conduzido os elementos químicos até lá."

12 Outubro, 2009

Criança também mama!

paps mamando na fabs
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Lá, no blog da Matrice - Crianças, VIVA!!

05 Outubro, 2009

Debatendo o Parto Orgásmico, foi assim:

Eu sou uma cético-científica que curte o imaginário místico. Acreditar em Astrologia depois de Kepler é algo incompreensível pra mim, mas amo ser peixes com ascendente em escorpião (o que quer que isso signifique), amo ser dragão no horóscopo chinês (o único ser mitológico desse zodíaco, e que aí aparece provavelmente numa citação demozoocrática aos esqueletos de dinossauros encontrados antepassadamente a Darwin).

Sei que a ida a Campinas para o seminário A redescoberta do prazer de dar à luz e um novo modelo de assistência obstétrica foi uma experiência quase mística pra mim, coidialma, abstrata, cheia de sincronicidades (ok, co-incidências da probabilística).

Que começou com o convite feito pela Ana Paula Caldas por sugestão da Luciana Benatti, pela minha participação no seminário na Faculdade de Saúde Pública / USP - que embora tenha sido para mim um prazer imenso, pensei que nunca mais me convidariam pra falar em lugar nenhum, tanto eu tremia, tanto as palavras não me vinham. Porque eu sempre digo, eu penso devagar, gente, por isso a escrita me flui. Já a fala... eu sou do tipo que as pessoas começam a completar minhas falas pelas longas pausas que faço procurando a palavra certa. E quase sempre completam diverso do que eu ia dizer, o que me deixa com a sensação de que não estou mesmo falando coisa com coisa.

(E então sei dizer que além da oportunidade de falar novamente sobre o parto que eu acredito, uma coisa que me deixou feliz foi sentir a inclusão da minha dislexia rs).
Daí que foi na UNICAMP. Sempre passo pelo acesso quando vou à casa dos Caldas Machado Ramos, mas entrar mesmo, a última vez foi em 1990, para assistir o trabalho de graduação do meu amadoidolatrado Rogério Migliorini pela primeira turma do curso superior de Dança, criado e interpretado sob o tema Dorme, dorme, Frankenstein. E quase 20 anos depois, eu voltava àquela Universidade falando sobre o mesmo mito, agora ilustrando o parto sem alma que se tornou o parto normal que pratica, quando pratica, o sistema obstétrico vigente.

E além da reentrância na UNICAMP passei em frente ao CAISM e adentrei a Faculdade de Ciências Médicas, cenários de tantas histórias ouvidas nos últimos anos de ativista – sendo que de manhãzinha passei pelo Leonor Mendes de Barros a caminho de pegar mamã. Tantos símbolos.

E o debate foi sobre o OrgasmicBirth, documentário produzido por Debra Pascali-Bonaro - educadora perinatal e professora de midwifery (parteria) nas faculdades de medicina da Universidade da Pensilvânia e na Estadual de Nova York - que assisti pela segunda vez, a primeira chorando ao lado de Deborah Delage, amiga pessoal e da Parto do Princípio, e a segunda agora, chorando ao lado da Ana Paula Caldas, amiga e cobeth na vida e no ativismo, ouvindo no filme o que ouvi pela primeira vez da própria AnaPaula numa lista de discussão sobre parto, numa época em que eu acreditava que a UTI havia salvo minha filha: o sistema médico-hospital quase mata para em seguida aparecer como salvador dos bebês. Que risco a humanidade correu de não vingar, com tanto insucesso como regra no nascimento.

Ter levado minha mãe comigo foi outra coisa muito simbólica. Porque ela não faz o tipo mãe-de-miss, nem eu faço o tipo filha-miss (not really kk), ou seja, não fazemos coisas juntas, mas sei que quando começou o filme eu pensei: dels, eu trouxe a minha mãe pra assistir parto com orgasmo!? E coray. E não é que a adrenalina da sensação de fio (fia? rs) da navalha fez bem até pra dislexia?

Obviamente todo dito até aqui é pura egotrip, e não é nada perto do que a coisa foi.
Primeiro, que eu era a única mortal na mesa assim composta: Lucía Caldeyro, doula; Ana Paula Caldas Machado, neonatologista, ex-CAISM atual Grupo Samaúma; Flora Barbosa enfª obstétrica da casa de parto do Sapopemba, Jorge Kuhn, obstetraparteiroícone e Hugo Sabatino, obstetra do CAISM, pioneiro no uso da cadeira para parto de cócoras. O debate foi organizado e moderado pela jornalista e ativista e tudodebom Luciana Benatti, abrindo exposição de fotos Parto com Prazer, de Marcelo Min. Tudo filmado pela Dani Buono, jornalista, videoparteira, amiga pessoal e ativista da Parto do Princípio.
E entre Ana Paula e Hugo, esta polipatinha: Roselene (who? rs), muito honrada, pela Parto do Princípio.

No auditório a maioria era a moçada da enfermagem, alguns médicos, doulas, psicólogas, fisioterapeutas (aliás, conheci Renata Olah, fisiodoula e ppzete!). Havia grávidas. Uma delas veio falar comigo depois da apresentação, e foi um grande presente ouvir que ela e o namorado querem sentir prazer no parto. Bom parto, queridos. Sementes...

Então. E ficou mais uma vez enfatizada a importância do papel da mulher na mudança do paradigma. Abandonar a casca do intervencionismo por compreensão de que o parto é um evento fisiológico que prescinde do médico no mais das vezes é para os geniais como Jorge Kuhn, até hoje plantonista do Leonor Mendes de Barros, até hoje incansável no respeito ao corpo feminino, esteja a mulher consciente ou inconsciente do respeito que deveras merece. Amei ouvir Lucía Caldeyro, tão colorida e doce. E Flora contando da Casa de Parto de Sapopemba, do oásis invisível que são essas Casas, pouco a pouco sendo fechadas pela força do corporativismo que destrói coisas belas, as últimas labaredas de um fogo que será apagado, estou certa disso.

A mensagem que fica: o parto sem alma imposto pelo sistema obstétrico hoje é perversão, é lesivo, é vilipêndio. Parir com prazer é aquisição evolutiva e deve ser encarado não como um prêmio, mas como um direito básico pelo qual exigir, independente do grau de consciência desse direito.
E essencialmente e por falar em imaginário: o filme de Debra Pascali-Bonaro e as fotos de Marcelo Min URGEM ser vistos, por todo mundo, por todo o mundo.
Parto com Prazer
Exposição de fotos de
Marcelo Min

Das 8h30 às 17h30, de segunda a sexta-feira
Espaço das Artes - Saguão da Faculdade de Ciências Médicas / UNICAMP
Rua Tessália Vieira de Camargo, 126 - Campinas